Dia de assistir um jogo de
oitavas de finais que envolvia o
Brasil.
Fui de transporte coletivo já imaginando um tráfego intenso.
O caminho para o Mineirão parecia um mar amarelo, um espetáculo!
Os chilenos eram muitos, mas ainda eram uma minoria ilhada
pelos milhares de brasileiros.
Mas mesmo assim mostravam muita confiança e bom humor.
O Mineirão estava lindo e o tempo ajudou bastante com um sol brilhante e um céu azul.
Antes de começar a batalha campal, um momento de tranquilidade para saborear um tropeiro.
Desde o início, podíamos sentir o nervosismo pairando no ar.
Aconteceu o lance desagradável das vaias durante a “capela” do hino chileno.
Eu tenho uma explicação para o fato, é claro que não justifica, mas
explica o acontecido.
Depois do jogo contra o México, toda a imprensa caiu de pau em cima da torcida
brasileira, que foi nitidamente anulada pelo canto dos mexicanos. Em todos os veículos de
comunicação, houve uma manifestação de imposição da torcida que é maioria perante
os adversários que são minoria. Houve infelizmente uma marcação de território fora
do contesto e realmente ficou feio.
Mas a torcida, fora esse deslise fez o seu papel, cantou o tempo todo e tentou sair do canto comum "com muito orgulho, com muito amor" e entoou novos cantos de incentivos que estavam sendo distribuídos por alguns torcedores, mas abafamos literalmente o grito chileno.
O início do jogo deu a entender que seria sem sofrimento, aquele gol no início parecia prenúncio de uma tarde tranquila e alegre.
Mas sofrer
um gol numa cobrança de lateral mal batido e com a desatenção do time não estava no script e ali começou o teste para cardíacos.
Neymar foi caçado com bastante violência e o jogo adquiriu um clima de tragédia.
Eu tenho um pecado a confessar: abandonei o Mineirão antes de
começar a cobrança dos pênaltis. Eu estava muito nervosa e tinha que relaxar.
Voltei andando para casa. Fora os
policiais não vi ninguém na rua, só o som dos televisores nas casas, comentários indignados e gritos.
Eu sempre tive
esse desvio emocional.
Não consigo assistir a decisões nos pênaltis.
Não vi o Baggio isolar a bola em 1994 quando fomos tetra
contra a Itália, não vi o Tafarel defender 2 pênaltis contra a Holanda em 1998
e não vi o Júlio César defender dois pênaltis e a trave defender outro contra o
Chile.
Estava chegando em casa quando as
pessoas começaram a sair das
casas gritando: acabou, acabou, acabou!!!!
E aí começou o foguetório...
Moral da história, sentei no meio fio e chorei.
Cheguei em
casa cansada pela caminhada desenfreada , extenuada emocionalmente por não saber o tempo todo o que estava
acontecendo e revoltada pelo meu comportamento insano que
nem Freud explica.
Mas valeu pela classificação sofrida e passei a noite em claro assistindo programas esportivos e as cobranças que eu não tive a coragem de ver.
Mesmo assim, agradeço aos céus por cada minuto que
presenciei até agora dessa Copa do Mundo
mágica que nos tem presenteado com jogos brilhantes e emocionantes.
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